Mais do que viver, relembrar nos ajuda a fazer um balanço sobre nossas escolhas e resultados atuais que, sim, determinaram nossa vida. Começarei lá no Instagram uma série de vídeos sobre minhas produções literárias, seja na escrita como na produção e revisão. Não é narcisismo não, de verdade. É uma espécie de balanço e retomada, pois daqui para a frente estou dando prioridade aos trabalhos de literatura. Talvez um dos resultados da Quarentena que obrigou cada um de nós fazer um balanço geral para seguir em frente. Além disso, uma coisa muito interessante aconteceu: pudemos sentir, de verdade, o que é essencial para nossa existência e o que estava ocupando espaço.
Uma historinha:Um belo dia, depois de um longa e tenebrosa quarentena, e a nossa cidade na fase vermelha, fui dar um rolê no shopping e matar a saudade da livraria. Nossa, como amo frequentar livrarias! Esbarrei em uma edição de bolso, com lindas ilustrações, contando a história da Jane Austen (escritora que tenho lido e estudado) para meus primeiros passos para um futuro romance. Ali, em pé, li a biografia dela em minutos... (juro que ainda comprarei um livro desse). Vi o óbvio, o que geralmente acontece. Jane morreu aos 41 anos (exatamente minha idade!). E em sua breve vida fez exatamente o que deveria ter feito em vida, pois seus livros são lidos até hoje e nos conectam com algo muito maior do que o século em que ela viveu. Ela fala conosco, nos toca! Ali, em choque, pensei seriamente em nossa brevidade... em meio a uma pandemia e a inúmeras possibilidades de irmos embora da Terra amanhã ou depois, percebi que só depende de mim levar a literatura como meu grande propósito de vida. Já adiei muito. Agora é a hora! Aceitei! Jane, obrigada!
E é por isso que farei essa série de vídeos curtos contando minha trajetória na escrita. Os vídeos serão uma forma de organização mental para meus próximos passos, mas quero compartilhar, porque estamos aqui para isso! Não para vendermos a imagem de vida perfeita (não existe, mesmo), mas para compartilhar com outros nossa caminhada cheia de tropeços, passos em falso e meia voltas. Nessa estrada tortuosa que ninguém sabe quando irá acabar, precisamos carregar apenas o que é essencial. E é isso que a literatura é para mim hoje. É minha única bagagem. Minha família é parte de mim. Meu trabalho é uma forma de serviço. E a literatura não saiu da mala durante a Quarentena. E, antes que parta para a próxima etapa reservada aos seres humanos, quero tentar, como a Jane tentou e conseguiu, escrever, escrever e escrever.
Deixo aqui o propósito desses vídeos e agradeço, de coração, se vocês acompanharem comigo.
Até breve!
sábado, 13 de fevereiro de 2021
Relembrar é viver (diferente) para caminhar pra frente
sábado, 30 de janeiro de 2021
Sobre jardins e histórias
Metáforas sobre jardins são as minhas preferidas! E claro, não apenas as minhas. "O Jardim Secreto", de Frances Hodgson Burnett (1849), escritora inglesa que ficou famosa nos Estados Unidos escrevendo para crianças é uma das histórias preferidas com jardins. Duas crianças sofridas, abandonadas pelos pais e mimadas por seus cuidadores, se conectam com a própria vida cuidando de um jardim abandonado há anos por conta de uma fatalidade. A vida é difícil, essa é a realidade. Mas ela segue... e os jardins sempre reflorescem quando resolvemos trabalhar nele.
Meu primeiro livro solo, um ensaio pessoal, chama-se "Um Novo Jardim". Agora trabalho em meu terceiro livro infantil, "Jardim da Lolô". Sim,
jardins me inspiram histórias. O meu grande projeto do ano é encontrar minha voz narrativa, meta tantas vezes adiada, deixada para depois de algo urgente, seja estreias no teatro, aulas na escola, bebês crescendo... Agora é a hora. Não há mais como adiar. Talvez meu jardim literário tenha sido adubado nesses 41 anos de vida e na pademia ele começou a brotar como o jardim secreto de Mary e Collin, de Burnett. Não há como segurar os raminhos novos quando um jardim decide se reinventar. ;)
sábado, 23 de janeiro de 2021
"Crianças francesas não fazem manha"...
Começamos essa conversa lá no Instagram, mas agora prometo abastecer o blog semanalmente com conversas sobre a vida de Voadeira Estradeira (Literatura, Arte, Educação, Viagens e Filhos), mesmo quando está em Home Office com filhos...Fases, né?
Devorei o livro da Pamela Druckerman quando ainda estava grávida no Miguel (2015). Quantas expectativas... prometi seguir à risca muitas dicas pertinentes da autora. Então, não rolou... Por ser ansiosa, me vi com uma enxurrada de vida real e angústias maternas para administrar, mas isso aqui é assunto para outro texto (as expectativas e realidades da mãe de primeira viagem), se você é uma delas, bem-vinda ao clube!!!! ;)
Mas, sobre o livro, creio que alguns pontos são realmente interessantes e merecem uma reflexão, a autora, como americana vivendo na França, percebeu alguns comportamentos muito negativos na maneira dos pais americanos criarem seus filhos - lendo a descrição, sinto que nós, mães e pais brasileiros, somos muito americanizados em quase tudo (desde os filmes e séries até os padrões de consumo exagerado) e também em como vemos nossos filhos.
Ela, em um local diferente (onde a grama sempre é mais verde, claro!) percebeu pontos chaves que talvez mudem um pouco a nossa maneira de olhar a infância dentro de casa, com essas pessoinhas que ocupam todo nosso tempo e energia. Então, vamos lá:
- Crianças não são o centro da família - verdade! São fundamentais, são nossa herança, nossos amados, mas temos vida, temos nossa individualidade, somos esposas, profissionais, amigas, filhas, irmãs, enfim...
- Não somos perfeitas, nem nossos filhos, criados por seres imperfeitos, como seriam diferentes?
- Faça das refeições momentos especiais - isso tenho aplicado desde a Pandemia! Sentamos à mesa da cozinha, comemos e conversamos. Tem dias difíceis, dias que não rolam direito, mas a constância funciona e há dias que conversamos sobre muitas coisas que em outro ambiente não seria possível.
- Ouça as crianças, e faça-se ser ouvida! Somos modelos para nossos filhos, estamos guiando seus passos e estamos na frente (não por sermos melhores) mas porque já vivemos muito mais. Não deixe rolar solto, não satisfaça todos os desejos... isso será terrível no futuro.
- Encare as birras como uma forma de expressão (ou falta dela) e não como algo para te atingir pessoalmente (esse é meu desafio atual rs).
Força pra nós!
E o bolo... hum... vale a pena!
quarta-feira, 17 de julho de 2019
A arte de viajar não viajando
Como viajar não viajando?
Como ajustar sua lente para a vida de todo dia e arrumar um jeito de olhar o cotidiano como algo novo?
Creio que tudo é realmente uma questão de olhar. Ajuste seu olhar e encare seu lugar atual como um lugar interessante. Olhe para as pequenas dádivas diárias realmente como dádivas diárias. Enfim, tudo é mesmo ponto de vista, perspectiva. Para mim o céu de Angola ainda é o mais bonito, o Chile ainda é minha segunda casa, o Nepal cheira fumaça e me traz uma nostalgia, um aconchego exótico e a certeza de que poderia ser feliz lá, mesmo em meio ao caos urbano, mas hoje, estou na cidade em que nasci, no corre corre de muitas mulheres com filhos pequenos. Vacinas, tratamento para alergia, planos não realizados e férias escolares... Mas o pôr do sol daqui ainda assim é lindo! Olhe da sua janela... vale a pena! Uma taça de vinho no final da noite ainda é uma taça de vinho... e vale a pena! Ainda não conheci um país ou cidade que não tenha algo de beleza e que pareça com a beleza que vemos quando estamos fora. Na verdade nosso olhar estrangeiro capta muito melhor as belezas de perto. Amo viajar, mas atualmente treino meu olhar para o que está ao meu redor. E sabe, no fim, isso é um bom exercício, o de viajar não viajando. Minha casa é o lugar de todo dia para mim, que estou aqui. E preciso fazer esse lugar valer a pena. Um lugar distante é o lugar conhecido de alguém que está longe de mim agora. A partir de uma nova perspectiva consigo, sim, viajar não viajando. Pontos de vista. Não, isso não é um texto anti viagens. Que elas venham às dúzias... Mas que meu olhar se renove a cada manhã, aonde quer que eu esteja. A milhas de distância ou ali, ali mesmo, na próxima esquina.
Boa viagem!
domingo, 7 de julho de 2019
Pausas e respiros
Então, e pra quê correr de um lado para o outro? Pra onde? Por quê?
As perguntas mudam, mas a vida segue seu curso. E hoje, adulta, quarentona, mãe de dois filhos, trabalhando, cheia de projetos para concretizar, vejo a pausa como parte importante de qualquer processo. Parar, respirar, olhar para trás, olhar para frente, parar de novo, respirar outra vez e, por que não, como aqueles monges de Alagoas, também contemplar o que já foi e o que está acontecendo exatamente agora.
Quer tentar?
Vamos juntos:
Observe o seu agora respirando fundo.
Agora, agorinha mesmo, faz frio, muito. Minha filha dorme no bercinho, meu filho na cama, meu marido vê um jogo na sala e eu escrevo esse texto embaixo de um edredon quente e macio. Ouço barulho de carros na avenida próxima. É domingo. A máquina de lavar faz o serviço dela na área de serviço e eu aqui, respirando, sou só o agora. O presente precioso que sempre nos escapa pelos vãos dos dedos está realmente presente por alguns instantes. Contemplo sua presença com um misto de contentamento e gratidão. Não há tarefas por fazer. Não há relógios ditando meus passos. Posso passar a tarde com uma amiga, andar de bike com meu filho e ver um filme que está na lista sem fim de filmes não vistos. Pausas e respiros nos inspiram a seguir em frente. Pausas nos ajudam a olhar ao redor, exatamente agora e observar o quanto temos e não vemos. E isso leva à gratidão.
Será que isso é contemplação?
Quase 20 anos depois da viagem por Alagoas entendo um pouquinho mais o poder da contemplação - e isso graças às férias. Será que virei contemplativa também?
E você?
Conseguiu?
Sigamos, entre pausas e respiros, na trilha que nos cabe completar. Talvez exatamente entre as pausas tudo que for 'vaidade e correr atrás do vento' fique definitivamente para trás e só o que realmente importa siga conosco pra frente.
;)
domingo, 23 de junho de 2019
Voadeira Estradeira na Radio e TV Imprensa
A querida Rita Elisa Seda nos recebeu para uma deliciosa conversa sobre livros, carreira e sobre o Grupo Fulôres.
Quer ver?
ENTREVISTA: https://www.youtube.com/watch?v=LKedTCEseDE
sexta-feira, 21 de junho de 2019
"The Bichos", a Voadeira na dramaturgia
Um grupo de atores que admiro, no final do ano passado, me chamou para uma tarefa desafiadora! Assinar a dramaturgia do novo projeto infantil do grupo. A peça, viabilizada pelo Fundo Municipal de Cultura, seria uma adaptação do conto Os músicos de Bremmen, dos Irmãos Grimm, e dos Saltimbancos, de Chico Buarque. Foi um momento muito especial, durante o processo passei de grávida a mãe da Heloísa e carreguei a bebezinha para o teatro muitas vezes para acompanhar a equipe. Com direção de Eduardo Moreira, do Grupo Galpão, de Belo Horizonte, aprendi muito. Me surpreendi com o resultado e tenho certeza de que desejo continuar nessa lida maravilhosa: a dramaturgia. A palavras viram cena, silêncios, música, luz, cor e significado para tantas outras pessoas não há como mudar de rota. Sigamos na trilha das escrita, seja ela em prosa, verso, canção ou teatro.
Amanhã tem apresentação lá do Teatro D'aldeia!
até!
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A menina e as estrelas Audiolivro produzido por meio do projeto Voadeira Estradeira LIF Lei de Incentivo Fiscal à Cultura de São José dos ...







